Quando a Criatura domina o Criador

Publicado: 09/05/2011 em - Nós 4 -, Reflexão, Thiago Ornelas

Bom Dia, Boa Tarde e Boa Noite, meu caro leitor.

É chegado mais um grande dia de vir aqui bater um papo com vocês. Hoje o assunto é sério e presente na vida de todos nós ciberconectados, os avanços tecnológicos. A criatura que insiste em dominar seu criador, o homem.

Ultimamente temos visto nossa coexistência sob o signo da ultra-velocidade, em um emaranhado de redes, satélites e fibras óticas. Vemos nossa vida passar em meio aos turbilhões de imagens, sons e dados que uma vez nos convencem de que somos privilegiados pela abundância, n´outra nos atordoa com a impressão de que jamais conseguiremos reter. Isso Porque tudo é perturbadoramente veloz e imediato, tudo se dilui e restabelece sem direito a intervalo. As informações mal chegaram, já estão de partida. A separação entre próximo e distante desaparece em uma “varredura eletrônica”. As tecnologias sedimentam um regime de temporalidade única, assentado na veiculação instantânea e transversal de informações que se generalizam sem correspondências cronológicas ou cartográficas. O que parece ter transformado a vida humana numa espécie de consequência, não permitindo a ela se separar das máquinas. Então, Começou-se a observar que apesar de durante toda a história da humanidade as descobertas terem surtido efeitos que podemos dizer que foram “progressistas”, nas últimas décadas surgiram alguns questionamentos a respeito desse progresso, principalmente o tecnológico. Somos privilegiados por transmissões convulsivas, mas não conseguimos reter tantos estímulos e ofertas, de que adianta?

Vivemos uma espécie de delírio espacial, no qual estamos cheios de surpresas, mas que em nenhum momento apresentam resultados. Vivemos apenas de um presente desigual, desumano e cada vez mais fragmentário, além de cada vez mais ultrapassado. E não seria isso regredir nos, ainda insuficientes, avanços?

Com tanta novidade, a nossa memória se cansa e quando isso acontece somos obrigados a nos render a essa evolução que cria em nós,  novas identidades sociais e psíquicas. É impossível ignorar os apelos consumistas que brotam de telas e monitores. Sequer estamos livres de ações invasivas no descanso ou na diversão. Sim, são nossas ansiedades sendo usadas contra nós mesmos. Elas são aproveitadas para esvaziar-nos de nós mesmos. Não que isso seja totalmente externo ao homem, de alguma forma isso está inerente a ele, mas se um dia tivemos liberdade de controlar isso, já foi mudado. Falo de uma nova cultura.

O nosso lar, o ambiente de trabalho, o lazer e até mesmo o transporte diário se tornaram dependentes de uma incessante gama de tecnologias que invadem cada vez mais nossos espaços. Passando ao consumidor a imagem de “estar a frente do seu tempo”, e logo após a imagem de “estar ficando para trás”, fazendo girar mais uma vez a roda do comércio desenfreado. As vezes penso que não quero estar num futuro, não muito distante, para ver os aparelhos celulares dispondo de um magnífico, instantâneo e infalível preparador de café, ai sim será o fim. Seria realmente isso um bem necessário?

As relações humanas. Vemos as relações humanas tendendo a virtualizar-se, criando uma nova forma de emoção, sempre como algo arrebatador e de identificação. E mais, regula-se a relação entre desejo, necessidade e satisfação, tentando nos convencer que a durabilidade não é mais tão importante, e que devemos dar ênfase a intensidade. Passamos a ter desejo daquilo que nem conhecemos, e o desejo passa rapidamente a condição à vida. A satisfação passou a ser medida de acordo com a capacidade de produzir entusiasmos e não na profundidade desses entusiasmos e impressões. Nem percebemos o grau de imersão no oceano de estímulos sedutores. Navegamos, como nômades insaciáveis, por canais de televisão e ambientes virtuais que se renovam sem cessar, mas que no fundo nos passam a mesma idéia.  Fomos tomados pelo furor por sensações mirabolantes, todos querem, ao seu jeito, serem atingidos por essa onda de sensações. É como se a emoção tomasse conta de cada um, só não se sabe se é a mesma emoção antes conhecida.

Parece-me tão contraditório ver que, em meio a tantas buscar por soluções através da tecnologia, nada movimenta-se para a busca de algo maior, de mais significância, de algo que aproxime verdadeiramente os humanos de diferentes níveis sociais, que diminua as desigualdades e sofrimentos tão recorrentes, mas talvez se justifique pelo caráter não comercializador. É difícil imaginar abundância igualitária na selva de desigualdades em que vivemos. Precisamos trazer abaixo a cultura da tecnologia desenfreada que traz consigo a apoteose do dinheiro.

Apesar de todos os óbvios papeis importantes dos avanços tecnológicos nas sociedades, inclusive no que se refere à medicina, devemos observar que os problemas criados ainda são grande, então precisamos libertar as potencialidades adormecidas e trazer a tona novas ações no campo político-cultural, reivindicando difusões descentralizadas e dinâmicas participativas mais igualitárias. Mostrar que política, tecnologia, sociedade e cultura podem sim caminhar juntas, com a necessária harmonia.  Será que um dia a tecnologia vai nos ajudar nisso?

Não esqueçamos, antes de sermos consumidores somos humanos.

ThiagOrnelas!

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comentários
  1. BLOG ZUMBISCO disse:

    POUTZ, FALOU TUDO. EU ACHO QUE ANDO SENDO DOMINADO ATÉ DE MAIS. MAS NÃO FUI EU QUEM CRIOU MESMO \O/ sahusahsauhasuhaushasu

    OLHA, TIVE DIFICULDADE EM LER, A LETRA TA MT FINA E CLARA.

    BLOG MT BOM

    • Nós4 disse:

      Fala, companheiro.
      Obrigado por sua visita.
      A letra do blog já foi modificada, mas algum erro está impedindo que ele atualize.=/. Estamos trabalhando nessa melhora.
      Agradeço pela sua contribuição
      Volte sempre

  2. Emerson disse:

    Muito bom seu blog, também bastante pertinente este post, parabéns!

    Comentado!
    Comenta lá e se gostar segue!
    http://www.falandodemarcas.blogspot.com