Dia do trabalho: o que comemorar?

Publicado: 01/05/2011 em - Nós 4 -, Críticas, Educação, Política, PROTESTO!, Reflexão, Taíza Gama

Olá!

Primeiramente gostaria de pedir desculpas ao leitor por este post. Ele vai parecer um pouco nerd, sem graça e formal d+. Eu não tenho o costume de ser assim por aqui. Mas é que hoje – dia do trabalho – estou de luto. Os motivos vocês verão a seguir…

O “dia do trabalho” nasceu já faz mais de 120 anos, como uma homenagem aos chamados Mártires de Chicago, nos Estados Unidos, julgados e condenados à morte por liderar uma luta contra a exploração capitalista. Desde 1889, considerou-se que a melhor forma de expressar essa homenagem seria realizar todo ano, nesta data, um dia internacional de luta pelas reivindicações da classe operária. Naquela época, foi assumido como eixo central a luta para conquistar a jornada de 8 horas de trabalho.

Desde então, a burguesia tentou, primeiro, apagar a data da memória dos trabalhadores e, depois, como não obteve êxito, procurou tirar o seu conteúdo de luta e transformá-la em um inofensivo “dia de festa”. A partir da década de 1990, este objetivo acentuou-se com uma campanha ideológica que anunciava estrondosamente o triunfo do “capitalismo sobre o socialismo” e o fim da “luta de classes”.

A infelicidade do homem moderno, do trabalhador, provém, na verdade, de outra perda, bem mais concreta. É a perda, ou alienação, de seus meios de trabalho e dos produtos de seu trabalho, expropriados pela burguesia. Provém do fato de não dominar seu próprio trabalho, e sim ser dominado por ele.

No entanto, como poucas vezes nos últimos anos, neste Primeiro de Maio, uma realidade mundial de luta dos trabalhadores e dos povos, em diversas regiões, mostra-nos que a luta de classes está mais presente que nunca.

Em um dos seus textos mais importantes dirigidos à classe operária, o Manifesto Comunista, Karl Marx e Friedrich Engels terminam com uma consigna que é, ao mesmo tempo, toda uma definição política: “A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”.

Segundo Marx, “… o trabalho é algo externo ao trabalhador, isto é, não forma parte de sua essência, e, portanto, o trabalhador não se afirma em seu trabalho, mas se nega; não se sente à vontade, mas desgostoso, não desenvolve suas livres energias físicas e espirituais, mas mortifica seu corpo e destrói seu espírito. Por isso o trabalhador somente se sente em casa fora do trabalho; enquanto no trabalho se sente fora de casa. Recobra sua personalidade quando não trabalha; e se trabalha não é ele. Portanto, seu trabalho não é voluntário, mas obrigatório; seu trabalho é um trabalho forçado. Por isso não representa para ele a satisfação de uma necessidade, não somente um meio de satisfazer necessidades estranhas a ele.”

O que eu quero hoje é que você pense se realmente vale a pena ver esse dia como um “dia de festa”.

O próprio Partido dos Trabalhadores publicou em seu site a seguinte notícia: “1º de Maio: PT saúda trabalhadoras e trabalhadores”, como se estivessem nos parabenizando pela data. Como se fosse algo SUPER MARAVILHOSO ser trabalhador no Brasil.  O próprio partido considera que o salário mínimo vem sofrendo uma “valorização permanente”. Eu não consigo concordar com isso.

Você vai me dizer, assim como o PT, que existem mais de “15 milhões de empregos formais” hoje no Brasil. Mais empregos ou mais exploração, meu amigo?

Somos escravos do trabalho! Trabalhamos muito e ganhamos pouco. Quem estuda não é valorizado e quem ensina, muito menos.

Se vocês estão satisfeitos, comemorem!

Créditos: Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI)
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comentários
  1. luana disse:

    apoio todo tipo de critica construtiva a um pais melhor…
    o que eu sempre me questionei nessa date
    pq a gente tem de trabalhar mesmo no feriado deveria ser opcional qual é por incrível que pareça tem pessoas que querem trabalhar …eu não chefe

  2. luana disse:

    estou seguindo

  3. louany disse:

    dia do trabalhador, sim deveria ser motivo de festa, mas p festa tem q ter dinheiro, e os trabalhadores, trabalham, mas o dinheiro é mínimo, ou Maximo cm diz a charge…
    !
    triste
    !

  4. L.Maroni disse:

    Olha… é dificil..ainda mais vendo algumas mega lojas fazendo os funcionarios labutar até mesmo hoje.

  5. Bruna disse:

    O título do post já diz tudo. Gostei daqui.
    Voltarei mas vezes. Bjo 😉

  6. Jorge Roberto disse:

    Acredito que todos os feriados brasileiros tiveram uma alteração do seu eixo principal!
    Como o dia do trabalho que foi uma luta proletária, temos o dia das mulheres que lembra as operárias europeias que hoje ninguém mais se lembra, como o dia da independencia, tiradentes, entre tantos outros, que esquecemos de refletir sobre o manifesto e lembramos somente do dia de folga ou da aceleração do mercado e exploração burguesa.

    Tais dias foram feitos para que pensemos e lutemos por condiçoes melhores, talvez lembrar um pouco das melhorias que Vargas fez em seu governo populista e querer galgar degrais melhores.

    Sobre o manifesto do partido comunista, um pequeno livro que tanto mudou uma sociedade, que tanto mudou a Rússia e tanto mudou a cabeça de poucos brasileiros como nós, fico feliz pela sua lembrança a “biblía sócio-politica proletária”. Infelizmente a população brasileira esta alienada com o pouco da aceleração do crescimento e perde o seu tempo preocupando-se com mercadorias.

    Sim sim, não espero por dias de paz. Espero por dias de luta… Pq após a luta, teremos a Paz que merecemos!