Atração Fatal

Publicado: 29/09/2009 em Críticas, Reflexão, Thiago Ornelas

reviravolta

Hoje o Nós4 vem falar um pouco do atraente e perigoso mundo das inversões de valores. Um “mundo” cheio de raios brilhantes, mas com um fim escuro. Vou falar em especial da sociedade Brasileira, a qual, mais do que qualquer outra, eu faço parte. Não promete verdades absolutas nem dados cientificos, no entanto não será dificil perceber o esforço para ser coerente e principalmente, fiel aos meus pensamentos.

 

Por Thiago Ornelas

 
O Brasil e o mundo estão passando por um período único na história da humanidade. Onde cada dia, ao piscar dos olhos, o que era certo parece tornar-se errado e o errado parece tornar-se certo.
Com freqüência, dia pós dia, percebemos que a o ato de quebrar regras e desrespeitar normas é objeto de admiração de muitas pessoas. Quando alguém se esforça para ser uma pessoa mais correta e humana, passa-se a observar a perda de interesse pela mesma; ela passa, entre outras coisas, a ser taxada de brega ou a sofrer humilhações e opressões. É na verdade antagônico e absurdo.. . É inacreditável que isso aconteça em todos os setores da sociedade, desde o ambiente de trabalho, seja ele formal ou informal, até o ambiente familiar, onde deveria haver valores morais e éticos enraizados.
Quando percebemos que o mau comportamento em vez de receber reprovação recebe admiração e ainda é imitado, torna explícito o absurdo da inversão de valores que vivemos na sociedade pós-moderna. Exemplo maior do que o conhecido reality show da Rede Globo de Televisão não há, onde a observação de pessoas se relacionando em um lugar isolado não garante por si só o sucesso do mesmo, necessita-se de algo mais forte, para isso percebe-se que uns personagens optam por um comportamento “rebelde” ou indisciplinado para atrair simpatia, e o pior, obtém sucesso, tornam-se, quando não vitoriosos, a grande atração do programa. Porque se mostram maus e ignorantes, completos vilões, atraíram afeto e admiração. Mas com isso penso eu, Se a indisciplina e a rebeldia geram simpatia, o que pensar dos que prezam a disciplina e educação?Mocinhos, não mais?
Não quero e nem vou fazer juízo de valor das pessoas que adimiram, nem tampouco dos que criticam, mas minha ideia aqui é mostrar o quanto estamos contorcendo nossos valores; fazer-nos perceber qual é o valor afinal da ética e do respeito.
Nas escolas percebemos cada vez mais as agressões sofridas pelos mais tímidos e ditos corretos. Estes deixaram de ser elogiados pelas boas notas e bom comportamento e passaram a ser alvo de chacota, afinal, o interessante é ser prepotente, arrogante, burrro, idiota.
A vida não é tempo suficiente para fazer esquecido tudo o que foi ensinado na infância; não é por nada que nossos pais, tios e avós nos ensinam desde tão cedo grandes valores da vida e grandes sentimentos. Não faz muito tempo que os pais ou avós ensinavam que os homens deviam ser cavalheiros com as mulheres, ou que as pessoas deviam se manter, AO MENOS, a nível de respeito. Ouviu-se dizer que era fundamental ao ser humano a generosidade e cordialidade, no entanto, hoje, nem se sabe o que essas palavras significam, foram deixadas de lado, e ai de quem tentar reaviva-las, ao se sujeitar a isso assina o atestado de antiquação.
Não é difícil perbecer que vez ou outra alguém que é notado em ações de bondade é definido como pateta e alguém que age maldosamente recebe aplausos, neste momento temos, um raio X, que mostra que a sociedade caminha a passos largos para um mundo amoral e repleto de conflitos.
Alguns dizem que alguns pontos serão vistos na sociedade futura.:

-Filhos não respeitarão os pais, e se o fizerem , serão até criticados pelos seus amigos.
-Teremos casais sem princípios essenciais a uma convivência duradoura e saudável.
-Não haverá renúncia, compreensão e bem-estar entre cônjuges, pois o homem que renunciar será tido ´por “dominado” e a mulher se o fizer será titulada por “Amélia”.-O bom funcionário será “puxa-saco” e o negligente será exemplar.
-O cônjuge infiel será bem-visto e o fiel será subestimado.

Ué, mas então o futuro já chegou?…é agora?

 
Fica fácil entender por que Rui Barbosa disse:
 
inversão de valores
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.
 
Muitos dizem ainda em GRANDE influência dos meios de Comunicação na criação de um novo modelo, ao qual as pessoas passariam a seguir cegamente. É, inevitavelmente, quando assistimos televisão, quando lemos jornais, quando ouvimos uma música ou em qualquer outra forma de mídia, somos bombardeados por uma falsa liberdade, que na verdade não passa de uma tentativa de banalizar nossas mentes, para que aceitemos tudo o que eles querem nos impor, mas será mesmo só isso?
E mesmo que assim sendo, não dá para se isentar do seu individual, até porque para isso ocorrer deve haver algum vazio em nós que permita que nos preencham com indevido conteúdo. É patente, em atuações de novelas e filmes, os maus receberem simpatia e os bons serem ridicularizados. Em filmes, os viciados e irregulares são alvos de apreço e como mencionado anteriormente, em reality shows os bad boys são favoritos a vencedores.  Mas quem aceita que assim seja?
Quando passa uma novela na TV onde um personagem é gay, a intenção não é mostrar a realidade de um homossexual e que este, como um ser humano, deve ser respeitado e ter seus direitos, mas sim impor-nos que o homossexualismo é uma coisa normal e saudável, o que não é verdade.
Quando mostram dezenas de filmes cheios de adolescentes se drogando e depois vêm com uma novela hipócrita mostrando uma situação tão exagerada e mal feita – se uma mãe comparar o comportamento do seu filho com o personagem vai achar que seu filho é um anjo, quando esse na verdade pode estar se drogando desde a infância e os sintomas não serem aqueles – eles não querem conscientizar as pessoas do mal que é a droga, mas mostrar que são politicamente corretos, isto é, hipócritas!
Quando transmitem músicas de bandas como “É o Tchan” e diversos funks com refrões do tipo “vai popozuda”, ou em programas como o “Show da Xuxa”, onde as crianças ficam dançando e se vestindo como essas “dançarinas” ou “apresentadoras”, não estão levando diversão para as crianças, na verdade estão induzindo a sexualidade precoce nessas crianças.
Quando passam filmes e notícias de países como os EUA e os da Europa, sobre as brigas raciais ou sobre medidas tomadas pelos governos desses países em relação ao racismo, não querem que o racismo no Brasil diminua ou mesmo acabe, o que eles querem é que nosso racismo, que infelizmente ainda existe em nossa Pátria, seja como o deles, isto é, segregacionista. Um racismo que segrega e divide as raças, tanto em bairros ou guetos, quanto em bares, lojas, estilos musicais, escolas e faculdades, etc, quanto na própria convivência pacifica entre elas.
O racismo no Brasil existe sim, mas tem características totalmente diferentes a essas. O preconceito do brasileiro é muito mais social do que racial, e mesmo que o preconceito racial exista, não se manifesta em formas violentas. Em que lugar do Brasil aconteceram conflitos como os ocorridos na Califórnia na década de 90, ou as constantes pancadarias entre europeus e imigrantes? O que mais aparece na nossa sociedade, em relação ao racismo, é a injúria, que é o ato de xingar ou ofender outra pessoa. Ah, e Gostaria de saber onde fica o verdadeiro índio nessa história de cotas raciais? Será que um real indigena seria recebido de maneira digna numa universidade? Sim, digo Índio de verdade, não farçantes espertinhos.
Dependerá dos líderes, oradores, conselheiros, escritores e agentes de posições similares, propagar os bons conceitos e incutir o repúdio à má conduta, bem como reconhecer com apreço os bons costumes. Isso é, se todas essas palavras também nãO mudarem de significado.

A inversão de valores compromete o convívio social e deve ser combatida com rigor, pois já se percebe sua atuação(negativa) no desenvolvimento humano.

 

Pense daí, eu penso daqui, quem sabe um dia nossas ideias passem a ter o mesmo peso.

Anúncios
comentários
  1. nathissima disse:

    achei sua crítica muito interessante e válida, todavia tenhoq expressar a minha breve opinião.
    Há muito tempo eu deixei de pensar nessa “atititude” do homem em um cenário coletivo e costumo pensar nele mais como ser individual, pra mim ifca mais fácil entende-lo… e vou deixar aqui uam frase de Nietzche que diz assim: “a economia da bondade é o sonho dos mais arrojados utopistas.”
    eu aplico essa frase pra todo o resto, porque eu penso que os er humano é por si só mal…
    mas enfim… sou uma pessimista filha da puta e essa é só uma opinião infeliz!
    =)

  2. Muito Legal!!!

  3. Lays disse:

    Olha, eu simplesmente fiquei muito impressionada com sua maneira de escrever e com o assunto, as vezes eu tento escrever isso no meu blog, mas não sai tão bem feito assim.
    Eu concordo com grande parte das coisas que você disse e já vivi muitas delas. Quando eu estudava e era a melhor aluna, era ridicularizada, todo mundo se virava contra mim, era triste.
    Eu vejo tambpem algumas pessoas que faziam parte do meu grupo de amigos que usam drogas, dirigem sem carteira de forma taotalmente imprudente e me achama a piada por que eu não faço.
    Ainda bem que no mundo de hoje algumas peças raras ainda dão valor a moral e ao respeito, mas quando digo isso não digo que essas pessoas são Santos e Marias.
    E melhor ainda que eu achei e reuni um grupo de pessoas assim.
    Blog maravilhoso, está de parabéns. vou seguir, mesmo sem retribuição de cometário.

  4. Inversão de valores, hum… tema bastante interessante e o post está bastante expressivo, parabéns Thiago.
    Mas vou me concentrar no ponto que eu acredito ser o mais importante de todo o post: a Educação e a inversão dos valores.
    Eu que vivo nesse meio educacional tenho observado um fato curioso: toda criança agressiva dentro da escola tem um histórico de carência familiar.
    Antigamente o pai trabalhava fora e a mãe era responsável pela educação das crianças e por cuidar da casa.
    Os tempos mudaram, as mulheres hoje trabalham, muitas já estão em cargo de chefia, e para compensar a ausência para com o filho, os pais se tornam permissivos.
    Chegamos ao tempo em que valores já não são mais passados para os filhos em casa e sobrou para a escola, além de ensinar, transmitir tais valores.
    Porém a Escola é uma sociedade que só funciona em parceria. Pais e Educadores devem ser parceiros, somente assim poderão inverter este quadro caótico em que se encontra a infância e a adolescência dos tempos de hoje.

    • Nós4 disse:

      Nada como um comentário cheio de propriedade e entendimento.
      Parabéns Leandro e obrigado pela participação,acrescentas-te muito no Nós4. Seja sempre muito bem vindo. Pessoas assim que fazem com que a gente “perca” tanto tempo preparando algo legal.

      ThiagOrnelas