O terrível medo da Inteligência

Publicado: 24/09/2009 em Críticas, Thiago Ornelas

Medo

Hoje o Nós4 vem um pouco diferente, vou transcrever  uma história que vem invadindo a Rede Mundial de Computadores através dos e-mails. Não gosto e nem vou ficar fazendo esse tipo de postagem, mas essa soou de uma maneira diferente, chamou atenção por tocar numa ferida tão aberta na sociedade “O medo da inteligência” .  Na verdade em outros momentos eu me meteria, daria opinião, abriria parenteses e tals, mas dessa vez não vejo necessidade.

 

Por Thiago Ornelas

Muitas pessoas talvez já tenham lido esse e-mail, mas poucas devem ter percebido a sua real profundidade, a sutileza e as verdades.
Ok, não faz mal se não conhecer os personagens da história, na verdade fica até mais legal, pois ela é totalmente secundária, basta entender a moral. Que de moral também não tem nada, mas ajuda a raciocinar.

Quando Winston Churchill – estadista britânico, escritor, jornalista, orador e historiador, famoso principalmente por sua atuação como primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial – ainda jovem, acabou de pronunciar seu discurso de estréia na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela assembléia de vedetes políticas. O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse, em tom paternal:

– “Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na casa. Isso é imperdoável. Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento “assusta.”

E ali estava uma das melhores lições de abismo que um velho sábio pode dar ao pupilo que se inicia numa carreira difícil. A maior parte das pessoas encasteladas em posições políticas é medíocre e tem um indisfarçável medo da inteligência.

Isso na Inglaterra. Imaginem aqui no Brasil.

Não é demais lembrar a famosa trova de Ruy Barbosa:

“Há tantos burros mandando em homens de inteligência que às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência”.

 Temos de admitir que, de um modo geral, os medíocres são mais obstinados na conquista de posições. Sabem ocupar os espaços vazios deixados pelos talentosos displicentes que não revelam o apetite do poder. Mas é preciso considerar que esses medíocres ladinos, oportunistas e ambiciosos, têm o hábito de salvaguardar suas posições conquistadas com verdadeiras muralhas de granito por onde talentosos não conseguem passar.

Em todas as áreas encontramos dessas fortalezas estabelecidas, as panelinhas do arrivismo, inexpugnáveis às legiões dos lúcidos. Dentro desse raciocínio, que poderia ser uma extensão do Elogio da Loucura de Erasmo de Roterdan, somos forçados a admitir que uma pessoa precisa fingir de burra se quiser vencer na vida. É pecado fazer sombra a alguém até numa conversa social.

Assim como um grupo de senhoras burguesas bem casadas boicota automaticamente a entrada de uma jovem mulher bonita no seu círculo de convivência, por medo de perder seus maridos, também os encastelados medíocres se fecham como ostras à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar. Eles conhecem bem suas limitações, sabem como lhes custa desempenhar tarefas que os mais dotados realizam com uma perna nas costas, enfim, na medida em que admiram a facilidade com que os mais lúcidos resolvem problemas, os medíocres os repudiam para se defender. É um paradoxo angustiante. Infelizmente temos de viver segundo essas regras absurdas que transformam a inteligência numa espécie de desvantagem perante a vida.

Como é sábio o velho conselho de Nelson Rodrigues:

“Finge-te de idiota e terás o céu e a terra”.

 

O problema é que os inteligentes gostam de brilhar.

 

De José Alberto Gueiros
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comentários
  1. diegofrutuoso disse:

    Nós podemos ver essa opressão desde cedo, na escolas mesmo, quem é constante alvo de agressões e xingamentos? É o cara mais estudioso, o inteligente, que por ‘N’ motivos acaba sendo zoado pelo valentão que já repetiu 4 vezes de ano e já era pra estar bem longe. Inteligência assusta, até hoje quando na faculdade eu termino um projeto de programação na metade do tempo que o resto da sala tem alguém que olha torto.

    Adorei a frase de José Alberto Gueiros, na minha opinião, quando você tem um talento você sente uma vontade de mostrá-lo, assim como quem sabe tocar violão não pode ver um que sai tocando, ou quem sabe tirar ótimas fotografias anda sempre com uma câmera e está sempre fotografando, quem tem inteligência deveria poder demonstrá-la sem ser odiado pelos outros, que acabam vendo nos inteligentes um inimigo, ao invés de alguém que poderia ajudá-los a crescer.

    Tudo bem que atualmente é quase uma “modinha” a pessoa se chamar de nerd e ter certos hábitos comuns aos nerds, mas a maioria desses são falsos, o Nerd não se mata de estudar para tirar um 10 em uma prova, ele fica feliz com um 8 apenas prestando atenção na aula, o nerd não só aprende, ele consegue transmitir o que ele aprendeu a quem estiver interessado em aprender. Bom é minha opinião, os bullies que me desculpem!

  2. […] O terrível medo da inteligência […]

  3. Daru disse:

    A maior diversão de uma pessoa inteligente é bancar o tolo, na frente de idiotas, que bancam o inteligente.

    Meu, e não acho que nerd seja o que o Diego falou, se fosse assim eu seria um desses, não estudo, tiro notas acima de oito (faço engenharia na UTFPR),e tento repassar o conhcimento. Apesar que é bem coisa de engenheiro fazer isso, ensinar a fazer de graça só pra mostrar que sabe. Um advogado cobraria por uma consulta, por qualquer que fosse o motivo. Bom, isso não vem ao caso. O importante é que acho que os nerds são aqueles idiotas, que não tem amigos porque são estranhos, anti-sociais e que vivem para estudar, esses não acho que tenham futuro, pois não irão adquirir contatos e não saberão relacionar-se com outros humanos, ou seja, nunca serão nada, ficarão sempre atrás de um mesa fazendo excelentes trabalhos para um cara que provavelmente tenha estudado menos, mas que conseguiu agir de forma correta na vida.

    Acho que já desviei muito do assunto, leve em consideração como comentário só o primeiro parágrafo, por favor.

    Abraço, achei o raciocínio muito bom.

    • Nós4 disse:

      Que isso rapaz, todo o comentário está valendo, afinal foi de vontade sua expor, então porque não considerar?
      Bom, quanto ao comentário sobre o assunto central, acho que você e o Diego buscaram duas vertentes diferentes dos ditos Nerds nos dias de hoje. Um foi pelo lado mais ao pé da letra, se é que assim pode-se dizer, e outro foi mais pelo lado subjetivo…enfim, quem sou eu para julgar certo e errado..até porque, não sei se vocês lembram, mas há alguns meses atras o Fantástico apresentou uma matéria sobre Nerds, e para minha surpresa percebi se tratar de algo completamente diferente, algo como quem gosta muito de uma série e muito a segue, le muito…se veste parecido com os personagens, viajei..mas quem sou eu né?
      Agradecido,
      volte sempre

    • diegofrutuoso disse:

      Discutir a diferença entre Nerd, Geek e outros subtipos é algo que vai longe!

      Agora dizer que todos os Nerds são sem vida só por causa de uns poucos, é condenar a manada por causa de uma vaca só!

      E se você não precisa estudar, gosta de ler e ajuda quem não consegue, eu devo lhe informar que você é um nerd.

      O grande problema e pode admitir, que lá no fundo você sabe que é, são os estereótipos, o povo vem com as idéias fixas na cabeça, que os Nerds não tem vida, que os pobres são todos ignorantes, que os ricos são todos metidos, que os brancos são todos racistas, que os gordos são todos esfomeados. Aprenda:
      Nerds também tem vida social.
      Pobres também gostam de cultura.
      Ricos também são humildes.
      Brancos não odeiam negros.
      Gordos podem ter problemas genéticos ou glândulas que funcionam mal e que os tornam gordos.

      E não querendo comprar briga, mas toda essa revolta contra Nerds está um tanto estranha. O que um nerd te fez pra te deixar tão revoltado?

  4. De acordo com Whatis.com, nerds são pessoas de inteligência acima da média as quais dão pouca importância para sua aparência. Nerds, geralmente, têm consciência de seu status, mas não ligam. De fato, muitos extraem orgulho de alcunha humilhante, pois ela significaria que são espertos e não se envolvem em preocupações superficiais.

    Como os nerds, geeks são espertos, mas tendem a se concentrar mais em tecnologia. E são mais antissociais. Essas são as pessoas das quais você tira sarro durante o ensino médio e para as quais trabalha depois quando adulto.

    A verdade é que o esteriótipo do GEEK americano influenciou para uma imagem negativa dos Nerds no Brasil e no mundo.

    Parabésn pelo Post e parabéns ao Diego Frutuoso pelo brilhante comentário acima.

    • Nós4 disse:

      Eu sinceramente já me perco legal em “Ser nerd ou não ser”, até porque em que isso muda algo?
      Seja cada um feliz como é, já que não faz mal a ninguém…
      Vlw galera.
      ThiagOrnelas