A incrivel (in)significancia de um Calouro

Publicado: 20/09/2009 em Crônica, Reflexão, Thiago Ornelas

troteeeeee

troteeee

Por Thiago Ornelas

Entra ano e sai ano e pouco muda no quesito Universidade Pública, e não estou falando do descaso. Falo da constante rotação existente/ entra e sai. Todo ano tem o período de provas para entrar(o temido Vestibular), a angustiante época de Resultados– que para alguns termina com extrema alegria – e a enfim chegada a Universidade Pública. Mas espera aí…Não é só isso. Todo mundo que entra numa Universidade Pública sabe que, por tradição, esperteza ou seja lá qual motivo, o primeiro momento é de TROTE.

Trote?Uma alusão à forma pela qual os cavalos se movimentam entre a marcha lenta e o galope, o termo vem da Era Medieval quando os candidatos aos cursos das primeiras universidades europeias não podiam frequentar as mesmas salas que os veteranos e, portanto, assistiam às aulas a partir dos “vestíbulos” – local em que eram guardadas as vestimentas dos alunos. As roupas dos novatos eram retiradas e queimadas, e seus cabelos, raspados. Essas atividades eram justificadas sobretudo pela necessidade de aplicação de medidas profiláticas contra a propagação de doenças. Calouro X Veterano. É como se o primeiro devesse ser “domesticado” pelo segundo por meio de práticas vexatórias e dolorosas, que têm a função de esclarecer quais são as características das respectivas identidades. Hoje a ideia é mostrar a mesma coisa, mas com tons bem mais leves, quase de amizade.

De inicio isso tudo assusta um pouco, principalmente a aqueles filhinhos da mamãe que acham que seus veteranos vão rasgar suas roupas, fazê-los comer olhos de cabra, caminhar por brasas e por fim arrancar seus órgãos pela boca…[Quase entram num filme de terror].Provavelmente acham tudo isso porque andam assistindo muito “Linha Direta” e “No Limite”. No trote Não rola faca, nem sangue, só maldades sadias. Mas vai explicar o que é maldade sadia. Droga, nem eu sei que raio é isso. Mas enfim, não preciso mais saber, toda minha curiosidade já está morta, afinal já fui calouro e agora sou veterano, portanto estive dos dois lados do trote, e posso garantir que o melhor é …Ah, não importa o melhor, tem que viver os dois momentos de maneira única.

Esse ritual toma formas diferetroteentes pelas diversas regiões onde acontece, mas sempre passando por muitas brincadeiras e uma certa dose de “terror”. Do Sul ao Norte do Brasil, o Trote é caracterizado como um rito de iniciação e de passagem, fundamentado numa integração de caráter sadomasoquista(HAHA, sempre quis falar isso), pois serve para vingar uma dor física e psicológica sofrida por alguém (o veterano, claro) na universidade. Só que isso é distorcido e para o calouro isso passa a significar, entre outras coisas, a possibilidade de se sentir integrado na vida universitária e de se conformar com a promessa de que poderá se vingar das pancadas e, sobretudo, humilhações, no próximo ano, quando se tornar veterano.”Alegria, Alegria, Calouro .

Desde o inicio de sua aplicação no Brasil, por volta de 1820, essa manifestação já sofreu alguma retaliações. Vez ou outra algum caso espantoso toma o cenário e traz a questão a tona. Alguns casos de extrema distorção do ritual envolvem abuso sexual e apologia ao uso de drogas, outros ainda chegam a ser fatais, resultando na morte de Calouros, como foi o caso visto por todo o Brasil do estudante Edison Tsung Chi Hsueh, que ingressava na prestigiosa Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Na manhã seguinte ao churrasco de recepção aos calouros, o corpo do estudante foi encontrado no fundo da piscina da associação atlética da faculdade. Não sei se o mais forte para mim é me imaginar dentro da USP fazendo Medicina(quem me conhece sabe do sonho) ou tamanha ignorância desses animais a ponto de causar isso. É, porque não consigo pensar que são pessoas normais; será que o estudo afetou a cabeça? Não se sabe ao certo o que aconteceu por lá, mas sabe-se que essa não é uma realidade geral, portanto a tradição não cessou.

Algumas Universidade, de SP principalmente, lutam contra todo e qualquer tipo de manifestação desse gênero, o que é absolutamente insuficiente, já que o Trote já tem seus seguidores, sendo eles até mesmo os Calouros(é, no Rio se chama assim)… É claro que violência bruta não pode acontecer, e isso não deveria nem precisar ser discutido, mas tem sim que haver trote. Uffa, ainda bem que eu sou do Rio.

A proposta para diminuir a preocupação é usar esse momento de Iniciação para o lado solidário, e aí que entra o lado emotivo do povo brasileiro. Ao invés de tintas e “pedágios”, os calouros fazem boas ações, ajudam em orfanatos, doam sangue e etc…Dão show de humanidade e eu sou totalmente a favor deste modo, desde que não isolado. Não que Universitário não possa “falar” sério, mas a vida já tem sido tão encurtada. Não pode juntar alegria, diversão, tinta e solidariedade?

Quando fui calouro acho que cheguei a ser até meio chato, era tanta euforia, eu queria mostrar para o mundo a minha nova conquista, eu queria me sentir universitário. Foi tinta para todo lado, acho que até hoje deve ter algum vestígio dela em mim, e não por falta de banho. Aproveitei muito, ri demais, pedi muito dinheiro, ah…e fiquei muito cansado. Mas no fim do trote, era apenas a terceira semana e eu já conhecia todo mundo, já sabia das lendas da Universidade, já tinha ouvido cada história. Sem contar que o fechamento de todo aquele esforço nas duas semana de trote, a mercê dos meus veteranos, foi numa bela chopada, com muita gente legal e diversão(Não vou falar da bebida.xD).

 troteeeeee

Hoje, um ano após ter entrado na Faculdade já tenho meus próprios calouros, sei exatamente o que passa pela cabeça deles, assim como sei também o que fazer com eles. Afinal, é a minha hora. Chamar de burro, fazer correr, pintar dos pés a cabeça, mandar pegar dinheiro, assistir a uma bela “ola” de bunda, ver calouro se “enfarinhando”numa tigela na caça a uma bala – E AI DELES SE NÃO ACEITAREM. Calouro tem que ser obediente.

A vida segue, logo logo eles também ganham calouros, fazem as mesmas brincadeiras e jamais esquecerão das fotografias e lembranças que o tempo deixou. Amizades para a vida toda, cumplicidade para os temidos tempos difíceis dentro das salas, formação de seus próprios valores diante da enorme gama ali apresentada, aprendizado ao perceber o quanto é difícil viver de “esmolas”, percepção do quanto se é privilegiado de fazer parte de uma minoria que consegue chegar lá – Como algo que proporciona tanta coisa boa pode ser ruim?

…façamos de maneira a perceber, no fim, que importante não foi APENAS o diploma, mas também todo o caminho até ele.

Trote?Porque não?

 O problema não está no ritual, está em quem o pratica. Se é para mudar, que mudemos as pessoas.

Bem Vindos, Calouros FCS 2009.2.

Obs: Todas as imagens foram tiradas de seus contextos originais.
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comentários
  1. lais disse:

    adorei o texto,
    ao contrario do que muitos pensam
    trote é muito divertido XD

  2. Leonardo disse:

    gostei do texto, muita gente, até falta a primeira semana, com medo do trote, é uma pena, perdem a chance de conhecerem mitas pessoas, e se divertir com elas, sem a pressão das matérias.

  3. cayo disse:

    É só mais uma comemoração msm!!

  4. Tute Braga disse:

    Meu trote foi supertranquilo! Foi divertido demais!!! haha
    Eu adoreeeeei!!! hahahaha

    Mas sempre tem algum aluno (veterano) de alguma faculdade em algum lugar do Brasil que faz merda…
    Mas, no geral mesmo, é tranquilo!

    Valeu pela visita!
    =)
    Bjosss

  5. Thyhago disse:

    Como ainda naum cheguei nesse estagio..
    naum entendo muito bem..
    mas adoraria participar de pelo menos um..
    mas ano que vem.
    em 2011 estarei lah..
    Matematica!!!!!!!!!!!!!!

  6. Descarga! disse:

    A prática do trote é absurdamente doentia, imbecil e cruel. É só um meio de “justificar” a maldade, fazê-la parecer aceitável. Ai do calouro se não aceitar? E cadê o livre-arbítrio?

    Vi uma vez uma entrevista na televisão com não me lembro quem, e essa pessoa dizia que “Se esses jovens são a elite cultural do Brasil, os que vão tocar o país, o país está perdido”. E é mesmo. Nem todo mundo gosta de ser torturado. Nem todo mundo gosta de ser integrado ao mundo dos delinquentes. Quase vomitei lendo o texto, muito desagradável ver alguém defendendo uma prática tão perversa. Tenho dó de você…

    • Nós4 disse:

      HA-HA-HA. Perdão, mas não pude deixar de rir. Se meu texto foi bom ou não, não é o que estou debatendo, mas sua opinião provavelmente foi mais mediocre do que ele. Não por ser contra a minha ideia, alias, estou aberto a isso, mas pelo menos fundamente sua ideia, ser por apenas ser ou não ser por não ser me parece vazio, não achas?
      Por pessoas como você que vivemos nesse mundo hipocrita, que preferem ver baixarias e falcatruas a brincadeiras e diversão. E Quem nem ao menos é capaz de diferenciar uma coisa de outro, desculpa não merece nem minha resposta.
      Há idiotas, semi idiotas e os tidos como idiotas. Em qual você se encaixa?Eu, como calouro ou veterano, em momento, algum fui idiota. Já muitas outras pessoas não precisam nem passar por essa fase para ser. Pare, olhe ao seu redor, pense suas atitudes, reveja seus pensamentos e perceberás não menos imbecil ou delinguente do que os veteranos que fazem merda e pegam pesado. Lembrando que não é isso que defendo aqui, mas ok, de repente você não conseguiu entender.
      Aliás, mais do que de pessoas idiotas e sofridas[ó, triste calouro..”‘chorei””] lamento por você, grande ser capaz de sentir o grandioso e inigualavel sentimento apaisiguador e humanitário de DÓ…Segue assim, um dia você mmuda o mundo sofrido e extremista, mal carater e desumano dos trotes e o transforma num grande hospicio de predominio de sentimentos tão honrosos como pena e dó, grande mundo teremos…Sendo assim, prefiro continuar sendo um terrivel veterano idiota, que se diverte, curte, pinta, ri,conta piada, faz amizade..Mesmo que isso me renda dificeis anos de angustia interna e cruscificação diante dos povos.
      Parabéns pelo comentário, você representa a parte Elite do “Nós4”, afinal, faltava mesmo piada por aqui.

      Seja Bem Vindo

  7. Dayane disse:

    Eu morro de medo de trotes. Por garantia não fui logo nas duas primeiras semanas da facu. Lá o trote é solidário, maisvai saber neh.. Preferi não arriscar. Se for trote solidário, posso até entrar no meio para ajudar, como veterana. Mas mesmo assim não concordo, porque sempre, sempre, tem um otário que quer sacanear e quanto mais vc resistir , mais é legal. Não gosto de colocar as pessoas em situações vergonhosas.
    Vai ser bom acbar a facu e lembrar de como foi tudo, e dos momentos de farra tb. Mas faço tudo isso sempre fiz, sem precisar de faculdade, enfim, sou contra trotes.
    BJs

    • Nós4 disse:

      Eis a diferença de um comentário bem feito e fundado para um mal feito e mal intencionado.
      Ok, ninguém é obrigado a gostar de Trote, apesar de eu gostar muito e essa ser minha opiniao.
      Não vejo como esse bicho papão, e se tem gente que faz merda esse tem que ser combatido e não deixa-lo prevalecer.

      Seja Bem Vinda
      http://www.nos4.wordpress.com

  8. imarty disse:

    legal…

  9. rafa disse:

    Certas coisas nunca mudam, mesmo daqui a 100 anos

    O príncipe bêbado e a plebeia equilibrista – Um encontro marcado
    Olá!
    Acabo de postar no meu blog o texto Fábula
    Para acessar o texto o link direto é
    http://cemiteriodaspalavrasperdidas.blogspot.com/2009/09/o-principe-bebado-e-plebeia.html
    Cemitério das Palavras Perdidas
    http://cemiteriodaspalavrasperdidas.blogspot.com/

  10. Caaah disse:

    Eu acho trote uma coisa tão sem noção! Acho que pessoas não ganham nada sacaneando calouros, mas cada um tem uma opinião neah!? ;*

    • Nós4 disse:

      Não, sem problemas…a intenção é essa, saber o pensamentos dos outros sobre o assunto. Eu gosto e defendi minha ideia, faaça o mesmo contrariando.
      Seja Bem Vinda

      ThiagOrnelas

  11. Eu sou totalmente contra à prática arcaica do trote. Se é para fazer amizade, então por que os veteranos não chegam na sala dos calouros e convidam a galera para uma cerveja ou uma pizza no primeiro dia de aula? Custa tão caro ser civilizado?

    • Nós4 disse:

      Ok, sua opinião e eu respeito. Mas diga-me, toda forma de trote é Selvagem ou “não civilizada”?
      Não acho, acho que o que rola é brincadeira…Portanto que quando bem feito pelos veteranos, os calouros saem satisfeitos, adoram. Ao final, acredite, agradecem.

      Seja Bem Vindo

  12. Quando nos propomos a escrever, expor nossas idéias e sentimentos em um blog devemos estar preparados a aceitar as críticas, mesmo as mais “medíocres”.
    Sua resposta foi mt infeliz.

    “Se você aponta o erro com ardente desejo de corrigí-lo, você estará agindo bem. Por outro lado, se agir comandado pelo senso de injúria, você estará cometendo um pecado, mesmo que seja verdade.” (Nitiren Daishonin)

    Pense nisso Thiornelas
    Seu amigo Leandro

    • Nós4 disse:

      Ok, claro. Estamos aqui para isso, toda e qualquer opinião será aceita e estará ai para qualquer um ver e se quiser apoiar(ou não). Mas certos tipos de comentários permitem-nos réplica, e ai cabe ao leitor aceita-la ou não. E cada réplica, obviamente, terá a tônica que o comentário pediu. Comentários inteligentes terão respostar bobinhas(e aplausos – se em acordo), até porque com esses só cabe concordar – e debatidos a altura quando em desacordo; já comentários idiotas serão respondidos com inteligência, afinal, qual é a dor maior?Se não está preparado para uma resposta áspera, não faça comentário áspero.
      Quanto ao julgamento do teor do pensamento ao escrever a réplica, quem é o juiz?Acho que ninguém melhor do que quem escreveu, certo?
      Pois bem, aí está…Eu digo daqui, e comprovo o que digo, minhas intenções (e etc)cabe a quem ler compreender, debater ou apenas aceitar.
      /fikdito.

    • Nós4 disse:

      MAS A PROPÓSITO, SOBRE O ASSUNTO DO POST VOCÊ NÃO FALA?

  13. Trote solidário é sem dúvida a melhor alternativa para o término das humilhações impostas pelos veteranos aos calouros das Universidades do nosso país.
    É certo que existe muita gente que espera esse grande dia de pura “descontração” e “integração”, sem falar que são duas semanas de puro “relax”.
    O que muitos não sabem é que, muitas vezes aqueles cabelos, sujos de café e tinta, aquela calça rasgada durante o trote do curso ou até mesmo a dífilcil escolha entre mastigar alho ou beber cachaça, pode deixar marcas irreparáveis nos futuros veteranos (se chegarem lá).
    O clima aparente de brincadeira e descontração entre os estudantes esconde relatos de abusos. Chicotadas, quedas (em fugas alucinadas), agressões e torturas psicológicas.
    Às vezes nem sempre o que é bom para VOCÊ é bom para todos!
    O direito de escolha sempre deve prevalecer (e não me refiro em ficar em ksa nas duas primeiras semanas).
    E aproveitando a sua linha de pensamento:

    “O problema não está no ritual, está em quem o pratica. Se é para mudar, que mudemos as pessoas.”

    Será que, num mundo tão violento como os de hj em dia, as pessoas estão prontas a mudar??????????
    E se tratando de trote, Vc mudaria para um Trote solidário???
    Pense nisso!

    • ThiagOrnelas disse:

      É, assim é que se imagina, afinal nada há de humilhação numa trote solidário né?ERRADO, já ouvi teses, que as vezes até parecem toscas, na verdade a grande vontade de alguns é acabar com a ideia do trote. Talvez seja alguém frustrado por não ter sido bem “troteado”.
      E ressalto mais uma vez, NÃO SOU A FAVOR DE QUALQUER TIPO DE TROTE. Todo e qualquer tipo de violencia deve ser repudiado e banido. Exemplo bem dado nesse caso foi o que aconteceu em meu trote da UniRio, onde a brincadeira rolou saudavelmente, mas infelizmente um idiota resolveu se sobressair e deu uma voadora num menino da minha turma, a voadora foi de leve e não pegou direito. MAS JA FOI O SUFICIENTE PARA MOSTRAR O QUANTO ELE É IDIOTA. Resultado: Foi ridicularizado, teve que assumir seu erro e ainda por cima pedir desculpas a toda a turma caloura. Eainda por cima foi contrariado por todos os amigos veteranos.
      Jamais serei a favor de qualquer coisa que resulte num machucado ou marcas psicológicas para sempre. No meu trote não teve corte de cabelo, mas nem isso acredito ser algo tão pesado, desde que de acordo com o calouro, que de inicio é “””obrigado”””, mas é so uma forma de pressão instantanea, nada acontecerá caso ele não queira. Ok, poder ser que tentem cobra-lo uma multa, uma certa quantia de dinheiro(R$5)talvez, ah…ja sei, os mais caxias dirão que isso é extorção, mas ele não é obrigado a dar, é soh brincadeiraaaa. Conheço gente que não aceitou nada do trote e não sofreu nada, obvio. Pode ser que esse seja vetado da chopada, que vem de frutos do trote, pedágios e dinheiro de multas, mas ue…chopada também não é obrigação, então ele pode ficar de fora, já que não ajudou..
      Oque é bom para mim não é para os outros…Claro, graças a Deus. O que seria do azul se todos gostassem do amarelo?
      Não entendi, sinceramente, o que tentaste dizer com “..as pessoas estão prontas para mudar?”, mas prontas ou não, se necessario for tem que acontecer.
      Em relação a eu mudar o trote para solidário, se foi uma tentativa de me pegar pelas pernas enganou-se, sou total a favor de trote solidário, acho bonito…Um momento importante, mostra para o calouro que além de brincadeira, faculdade também representa consciencia.Fiquei verdadeiramente emocionado ao ver fotos e ouvir histórias do trote de engenharia 2009.1, foi simplesmente maravilhoso, crianças de um orfanato se sentindo importantes, e calouros se sentindo “retribuindo”em bom preço o que a sociedade confia-lhes ao pagar sua universidade. Olhos brilhantes, mentes livres, show de valores.

      Pensado

  14. Belo texto. Na Idade Média tudo era mais divertido neh
    hahahahahhahaa

  15. Se tivesse que se adotar um único sistema de trote. Tradicional ou solidário? De qual lado vc ficaria???????

    • Nós4 disse:

      Não sei te dizer, e não tenho medo ou vergonha de assumir isso. Até porque os dois tem os pontos positivos e os negativos. Não sou juiz para julgar na devida necessidade, posso talvez alertar por tendencias minhas, gostos. Mas não passa disso, gosto. Acho que a junção dos dois é realmente um ideial. Adoro a festa da pintura, da falsa obediencia(sim, falsa) aos veteranos, do pedágio, da forma de mostrar orgulho diante da sociedade, bate no peito e grita “Sou calouro sim, eu consegui”, não entra no mérito constrangimento, pelo menos não a nivel que eu estou me referindo. E o trote solidário é uma festa a parte….Todos deveriam passar por isso um dia, é gostoso, faz-nos acreditar num mundo melhor mesmo quando estamos diante de tanta pouca vergonha, e melhor, feito com minhas nossas próprias mãos. Mas por outro lado tem a questão negativa, na qual muitos atentam para, no caso de doação de sangue e etc, ser um ato perigoso, pois nem todo mundo pode doar, etc…
      Enfim, os dois tem lados muito legais, e acho que assim como você citou anteriormente, o que é bom para mim não é para o outro. Um pontinho aqui, outro ali e pode fazer a diferença para cada um.
      Espero, em minha não decisão, ter conseguido falar um pouquinho do que penso.

      boa Semana

  16. diegofrutuoso disse:

    Quando eu tomei trote foi super tranquilo, eu entrei no Centro Universitário SENAC – Campus Santo Amaro e os calouros tinham a opção de sair para tomar trote lá fora, quem não quisesse podia ficar na sala assistindo a apresentação dos professores, pra fazer um social decidi participar do trote, lá fora teve muita zoação, tinha povo cortando o cabelo sendo, sendo pintado com quinhentas tintas, tomando meio litro de cachaça de um gole só, paqueirando coqueiro (nunca tinha visto isso o.O), matando formiga no grito. Como eu não bebo, opção minha não tem nada a ver ocm religião ou qualquer outra coisa do tipo, cheguei lá e falei, não corto o cabelo e não vou beber nada alcóolico, foi até divertido, saí com o meu cabelo intacto, sóbrio e conhecendo muita gente boa do meu curso ! É claro que tem um pessoal cabeça fraca que se mandar se jogar na avenida o tonto faz. Nunca participei de outros trotes pra saber, mas no meu e no que eu pretendo dar nos bixos do ano que vem tudo foi e será tranquilo, mais que uma tradição, será uma comemoração aos estudantes que chegam.

    • Nós4 disse:

      Está aí, em poucas palavras, e de outra pessoa, o que eu estou explicando a horas.(rsrs)
      Claro que cada um escolhe aquilo que vai permitir que façam, e é “”normal”” que se você permitir colocarem sua cabeça num vaso sanitário va aparecer alguém para assim fazer. Tem sido assim no dia-a-dia. Talvez agora tenham entendido o que eu quis dizer com minha última frase do post.

      “…O problema não está no ritual, está em quem o pratica. Se é para mudar, que mudemos as pessoas…”

      Um ser humano imbecil vai ser imbecil onde e como ele estiver, seja calouro ou veterano, e é isso que precisamos mudar. É saber se impor, ter carater e personalidade. Se um ser é idiota suficiente para se jogar da ponte porque alguém pediu, bem feito, lá é o lugar dele, caindo da ponte.
      Jáa recusei fazer coisas no trote, claro. Mas foi tão simples, Eu digo Não, Eles dizem sim, EU DIGO NÃO, ACABOU. Agora, se Eu digo Não, Eles dizem Sim, EU DIGO SIM, CLARO…Quem é imbecil?Ou melhor, quem é MAIS imbecil?
      Vá lá, dê trote sim, curta tudo, faça amizades, pinte, divirta-se, pois passa rápido. E depois sentirás orgulho de ver “seus calouros” crescendo e fazendo o mesmo.
      Adoro essa diversidade cultural, paquerar coqueiro também nunca vi, e essa cooisa de bixo é bem paulista.kkk

      Boa Semana

      Ornelas

  17. Nayla disse:

    Thiago,
    Texto bem escrito. Informações pertinentes, buscadas no espaço-tempo do mundo tratando de uma questão polêmica que envolve emoção, subjetividade, pontos de vista e, além de tudo isso, muita história e exemplos de vidas aprisionadas em mundos profundos, solitários, não-revelados, desconhecidos, perdidos em almas humanas… Quantos pensamentos nos invadem em segundos, minutos, e não nos damos conta de toda a paralisação, conflito, revolta, estágios incógnitos de energia ou lances de paixão, sinergia, adrenalina que nos proporcionam. Geralmente ficamos nas extremidades, ou seja, 8 ou 80. Nos tornamos bichos ferozes ou mansos cordeiros, extremamente ativos ou passivos, silenciosos ou desordeiros… Aprendemos a reagir ou a aceitar, sei lá… Tanta improbabilidade… Cada um é cada um. Difícil colocar na balança e equilibrar “ser ou não ser”, “querer ou não querer”, “estar ou não estar” impor, obedecer, desobedecer, enfrentar, evitar… A ideia de PODER, TER, COMANDAR, LIDERAR, CONTROLAR toma diferentes prismas de acordo com a nossa posição, nosso tempo. Somos nós e os outros e vice-versa numa grande praça pública, vistos por todos os lados. Espetáculo? Brincadeira? Amizade? A palavra amizade em trotes não cabe. É muito prematuro. Todo o caminho até ele passa por disputas, pressão social, cultural, racial, econômica, intelectual… Parecemos gotas que, de repente, se tornam represadas e, tomando volume, ganham proporção, que, em um movimento brusco, libertam-se e saem devorando todos os caminhos. Usando suas palavras…”Entra ano e sai ano e pouco muda… Para entrar (o temido Vestibular)… Todo mundo que entra numa Universidade Pública sabe que, por tradição, esperteza ou seja lá qual motivo, o primeiro momento é de TROTE… O problema não está no ritual, está em quem o pratica. Se é para mudar, que mudemos as pessoas.” Juntando a isso: “Hoje, um ano após ter entrado na Faculdade já tenho meus próprios calouros, sei exatamente o que passa pela cabeça deles, assim como sei também o que fazer com eles. Afinal, é a minha hora. E AI DELES SE NÃO ACEITAREM. Calouro tem que ser obediente.”
    Bem, enquanto você brinca, outros levam a sério. Enquanto você escreve outros leem seus próprios pensamentos, enquanto você fotografa sob um ângulo, outros já se veem em outras dimensões… Enfim, quando as pessoas mudam, mudam até seus rituais.
    Grande abraço.