Um “pouco” sobre Futebol

Publicado: 22/08/2009 em Esporte

País do Futebol !

Por Yohan

Como bem sabemos, o Brasil é o país do futebol. Muitos, inclusive, dizem que se um brasileiro não sabe jogar futebol,  então, não é brasileiro mesmo. Logicamente, isso é um exagero, mas tais afirmações têm um motivo. Káka (Ricardo), Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Romário, Rivaldo, todos esses não são/foram apenas uns dos melhores jogadores do Brasil, mas já foram também considerados os Melhores do Mundo (isso sem contar com jogadores como Pelé,  Zico… que dispensariam qualquer tipo de eleição…) Só para se ter uma idéia, o segundo país que elegeu o Melhor do Mundo mais vezes foi a França. Três vezes, e as três com o mesmo jogador, Zidane.

Além disso, a seleção brasileira é a que mais conquistou títulos em Copas do Mundo, tendo participado em TODAS.

Pois é, o brasileiro fez por merecer essa fama de bom de bola, e ainda faz, tanto que constantemente exportamos, talvez até, centenas de jogadores por ano… Logicamente a balança está favorável para o nosso lado, estamos com um superávit nesse sentido… Mas, ao contrário da economia, em geral, no futebol isso não é bom. Mais do que não ser bom, é um dos problemas que precisam ser urgentemente mudados no nosso futebol.

Essa constante e, pior, precoce saída de jogadores, ao invés de valorizar nosso futebol, desvaloriza, já que novos talentos saem cada vez mais cedo (é normal haver jogadores de 15,16 anos com contratos fechados com algum time europeu, somente esperando completar 18 anos para ingressar no novo clube) e, consequentemente, por preços mais baixos.

Esses “negócios da China” para os outros países com o Brasil nos privam, cada vez mais, de ver nossos novos talentos jogando nos campeonatos nacionais, o que os deixaria mais bonitos de se ver, mais disputados, consequentemente, mais emocionantes, levando mais torcedores aos estádios, gerando mais renda para seus clubes etc…

Mas não é só isso, eles também, muitas vezes, fazem o jovem jogador pular uma parte de seus desenvolvimentos profissional e pessoal (se imaginem com 18 anos, quase sempre sozinhos num país estranho de idioma e culturas diferentes). Não é à toa que muitos desses jovens não rendem o esperado no novo clube e acabam voltando para o Brasil algum tempo depois e pelo dobro do preço que saíram.

Resumindo, quem perde com isso tudo? O jogador que, sonhando com um crescimento meteórico na carreira, se desilude e sofre um enorme e desnecessário desgaste, o clube revelador que o vende por uma “bagatela” e nós, amantes do futebol, que não podemos admirar do jeito que gostaríamos o talento de nossa riqueza abundante.

Outro problema evidente no nosso futebol é a frequente demissão, admissão, readmissão e “redemissão” de técnicos nos clubes brasileiros. Enquanto na Europa é normal vermos um técnico há dez, quinze, vinte anos em um clube, aqui no Brasil o “recorde” (e muito raro) é de, no máximo, quatro anos seguidos. Também é normal vermos um técnico com sete passagens pelo mesmo clube. A lógica disso? Simples… Falta de planejamento. Jogadores sendo contratados pela direção do clube, muitas vezes, com interesse escusos, e sem o consentimento do técnico, o que resulta num inchaço do plantel, deixando jogadores e comissão técnica descontentes com essa quantidade desnecessária de jogadores, prejudicando assim a performance da equipe.

E, no final, acaba sobrando prá quem? É, normalmente, para o técnico, que é demitido, muitas vezes, por perder apenas três jogos consecutivos. Essa demissão resulta em multas pagas pelo clube pela rescisão do contrato, despesas, até maiores, com a contratação de um novo técnico, que, por sua vez, não dura um ano completo no clube, dando lugar a outro, que mais tarde irá dar lugar àquele primeiro, antes julgado incompetente para o cargo pela mesma direção que agora o está readmitindo.

Em qualquer empresa isso não faria sentido nenhum. Um funcionário de cargo de chefia é demitido por ser julgado incompetente, tempos depois é readmitido, e esse ciclo vai se repetindo mais algumas vezes. Não tem cabimento… Mas aí é que está a matriz dos problemas. Os clubes de futebol brasileiros não são empresas (como na maioria dos outros países). São clubes. Não buscam o lucro, suas receitas são apenas para manter o clube vivo. Até aí sem problemas, o fato é que não é simples assim… Há muito mais interesses por trás das negociações futebolísticas do que os que são divulgados.

Se os clubes brasileiros fossem transformados em empresas e administrados por  verdadeiros administradores, certamente as negociações perfeitas para os clubes estrangeiros deixariam de ter benefícios unilaterais e passariam a beneficiar, também, os clubes nacionais, já que seus proprietários não admitiriam prejuízos para sua empresa. Demissões e readmissões constantes não seriam mais vistas, já que isso simplesmente não faz sentido no ramo empresarial, o que possibilitaria um trabalho muito mais planejado e eficiente dos técnicos. Investimentos em centros de treinamento e repatriamento de grandes jogadores seriam muito mais comuns, já que seriam investimentos para o próprio clube, e melhorariam cada vez mais o futebol nacional. Se com absurdos inaceitáveis que só acontecem no Brasil já somos o país do futebol, e nossos campeonatos são uns dos mais disputados e emocionantes, imagina se tais mudanças acontecessem?

Prá que se contentar com o Bom, mas com defeitos Graves, se podemos ter o Ótimo??

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comentários
  1. Luh disse:

    belo texto. Vocês gostam de escrever em? kk Até mais