Mulher ou o que?

Publicado: 21/08/2009 em Esporte

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Estamos acompanhando nos últimos dias a polêmica em torno  da atleta Semenya da Jamaica, não uma polêmica por recorde ou caso de doping, mas sim por FEMINILIDADE(ou falta de…). Parece engraçado, mas pelo visto a coisa é séria. E pior é que indo um pouco mais atras na história podemos perceber que não é algo tão estranho assim, ou pelo menos não tão novo.

A história do atletismo então inclui alguns casos curiosos em que antigas “campeãs” eram, na verdade,  homens ou possuíam dados genéticos que não conseguiam estabelecer qual era realmente sua identidade sexual.

A mais conhecida é provavelmente Stella Walsh, nascida na Polônia, sob o nome de Stanislawa Walaziewiz, mas desde muito cedo criada nos Estados Unidos.

Foi medalha de ouro nos 100 metros e a primeira mulher a correr abaixo dos doze segundos, em Nos Jogos de Los Angeles em 1932, além de ganhar a prata em Berlim, 1936, com as cores do seu país natal.

Ironia do destino ou não, após sua derrota na capital alemã para a americana Helen Stephens, um jornalista polonês acusou a campeã olímpica de ser um homem e Stephens foi ordenada a apresentar um “atestado de feminilidade”.

Em 1980, Walsh morreu em um tiroteio. A autópsia revelou que ela tinha órgãos sexuais femininos, mas um pênis e testículos atrofiados. Seu caso foi descrito como um exemplo da presença, no mesmo corpo, de cromossomos masculinos e femininos.

Na mesma época, a tchecoslovaca Zdena Koubkova, se tornou em 1934 na primeira ‘mulher’ a superar a marca dos 2:15 nos 800 metros, com um registro de 2:12.08. Poucos anos mais tarde, a atleta revelou que ele era um homem e seu recorde foi invalidado.

Em 1938, Dora Ratjen da Alemanha quebrou o recorde mundial de salto em altura, ultrapassando os 67 centímetros, no Campeonato Europeu. Foi confirmado poucos meses depois que Dora era um homem, o recorde foi anulado e, em seguida, a ex-esportista encontrou um trabalho como garçom em um bar em Hamburgo, chamado Herman Ratjen.

Em setembro de 1967, Ewa Klobukowska foi excluída do Campeonato Nas Nações da Europa por “feminilidade insuficiente”, constatada por seis médicos.

A polonesa tinha, até então, uma brilhante carreira: bronze nos Jogos de 1964, em Tóquio nos 100 m e ouro no revezamento 4×100. Ela não chegou a perder os prêmios, embora seus recordes tenham sido apagados.

Após a Segunda Guerra Mundial, duas francesas medalhistas no Campeonato Europeu de 1946, Claire Bressolles (bronze nos 100 m) e Lea Caurla (bronze nos 200 m) foram reveladas como homens, passando a ser pais de família com os nomes Pierre e Leo.

Provas de feminilidade, realizadas desde 1948, tomaram diversas formas nas últimas décadas, mas que sempre tenderam a ser controversas.

Depois de ser consideradas como pouco confiáveis, a Federação Internacional (IAAF) as abandonou em 1992 e os casos agora são analisado por um grupo de peritos. Está aí, se alguém mantém uma listinha com profissões “bizzarras”, pode incluir – PERITO DE FEMINILIDADE. Não quero nem pensar como essa avaliação é feita.

A história também inclui casos  “suspeitos”, em que as protagonistas nunca foram suspensas ou excluídas, mas não conseguiram escapar da sombra da dúvida, como foi o caso da Judoca Brasileira Ednanci Silva, que possuía características dos dois sexos, e em 1996 passou por uma cirurgia de reparação de sexo(!?) para ser aprovada como Mulher.

Fico “encucado”, sem entender muito bem como essas coisas acontecem –  que uma mulher queira ser homem ou que um homem queira ser mulher(ou vice e versa – sei lá) já estamos ficando acostumados, mas “SER OU NÃO SER” é estranho. É…nunca fui tão bom em Biologia, mas sei que ela explica. Mas será que em alguns casos não é mais um despertar da magnífica esperteza humana?.“Se sou homem mas não sou bom suficiente para concorrer com outros homens, me faço mulher e assim saio por cima.”. Tenho medo dos  próximos acontecimentos.

Por Thiago Ornelas

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